O trem do pântano

O trem do pântano

Sai o trem para o seu destino.

Vai Forquilha, vai Forquilha, Zeferino de Mesquita.

Que os anos de 1800 distantes tornando-se vão.

Passa Manga, passa Retiros, passa Félix de Almeida,

seus casebres, suas cafuas, taipas de mineradores

chão de ilusões, passagem de sonhadores.

Vem Grotadas,

vem Estiva,

Retiro de Baixo,

Retiro de Cima,

Retiro do Meio.

Pula brejo, pula córrego, que o mascate já chegou.

Vou comprar pra minha morena uma fazenda de filó.

Velho Novato, me dá querosene

pra botar na lamparina,

um fiasco de dar dó.

Pula brejo, pula córrego que o mascate já partiu.

O fubá do seu moinho, o vento já assoprou.

E o monjolo no açude,

-“que pecado”-

Padre Silveira destruiu.

Perdigão ficou feliz com o filho que ganhou.

Com o português Velho Novato a Saúde só lucrou.

Vem Pântano,

passa Pântano.

Passa o português com seu açude e seu monjolo de fubá.

Vem os frades franciscanos em suas margens descansar.

Sol a pino, água brilhando.

Lua cheia, moedinhas de prata ao luar.

Prata na água.

Lagoa das pratas.

Passa Pereiras, passa Novais,  

que as lavadeiras nos bebedouros

Chico Silveira,

Sebastião Rosa,

Chico Félix das aguadas vem atrás.

Vai Forquilha,

vai Grotadas,

vai Estiva,

Retiro vai,

Vem Coronel Carlos Bernardes

Em meados do XVIII chegando vem.

Na beirada da lagoa, que um dia um açude foi,

Construiu uma casa grande e senzala também.

Chega o trem com muita pompa e gente nova para trabalhar

Passa rua, passa estrada, chega asfalto e progresso vem.

Vem a cana, vem a praia, vem escolas, turista e comércio também.

Vai a roda de fiar

e a moda de cortejar.

Seca lagoas,

seca pântanos,

córregos e buritis.

Passa anos, passa o tempo,

vai ao chão o casarão.

Só não cai a sua história e a do Pântano que não existe mais.

Porque a gente que aqui hoje vive,

é de esperança que se alimenta,

Neste trem que nunca pára,

de tornar felizes seus dias

nesta terra que fora um dia, a morada de seus pais.

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